segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O Baleiro e a Alma

A morte é o fim em estado bruto, sem rodeios... simplesmente o fim. Apesar disso, ou talvez justamente por isso, nós morremos muitas vezes. A morte não é o contrário da vida, mas a morte é o fim da vida... de uma vida. A morte é o prenúncio de uma nova vida. Por isso, mesmo morto, posso escrever. Estou no meu estado mais bruto, estou num dos meus fins. Aprendi na escola que dois pontos podem criar uma reta, e quando sou apenas um ponto, um ponto em estado mais bruto, me permito que todas as retas passem por mim... sou um ponto bruto cravado de vidas retas... o limite é o impensável... o limite é a palavra... o limite não é o fim em estado bruto, pois de todo fim em estado bruto, brota a vida inexoravelmente como possibilidades... trago em mim muitas vidas... muitos tempos. Estou morto, e curioso, por saber que vida vai ser a escolhida... tantas vidas... tantas ruas... tantos rostos... tantas marcas... tantos medos... que vida escolherei ou que vida me acolherá? Depois da morte, mesmo a vida velha é uma vida nova... uma vida morta lembra possibilidades... confirma escolhas... e marca coragem e covardia. Queria explodir em trilhões de retas que passam no ponto de minha vida e da minha morte, e assistir meu rosto espantado de tantas vidas e de tantas mortes. Quanto mais vidas, mais são as mortes. A morte é o fim em estado bruto, e de que forma escolhi morrer hoje e de que forma vem minha alma bruta?! “Calma alma minha, calminha, não me deixe assim”.

Belém, 19.05.08.

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