
Um dia minha, vó, a senhora me disse: “meu filho, essa foto é para você mostrar para os outros como eu era bonita!”. Hoje olhando para ela sinto o tempo escorrendo entre os dedos de minha mão, sinto tempo recusando-se repousar. Sinto a ausência de um tempo que me protegia, que se estraçalhou em perda e saudade. Fotografia remédio para um tempo quase-perdido. Na foto seus olhos vó, seus olhos não encaram o fotógrafo – nem mesmo encaram o instante da fotografia –, parecem perdidos no tempo, parecem encarar o futuro e desprezar o presente em click. São olhos que procuram o que virá. São olhos que pajeiam meus medos, mesmo antes de poder senti-los... são olhos que protegem duas crianças (meu irmão e eu) matizadas em preto e branco. São olhos que afagam nosso destino. Reconheço-me no seu olhar vó, um olhar que anunciava meu vir-a-ser. Reconheço-me nas suas sobrancelhas, essas sobrancelhas são minhas também... trago-as até hoje. Seus lábios finos já guardam as palavras que um dia ouvi de ti: “acorde meu filho”, “já almoçou?”, “amanhã tem vestibular, descanse”, “você ta doente?”, “beba esse chá”... palavras que me salvaram a vida e que escorrem nas lágrimas da ausência. Essa fotografia salva-me do luto, da tristeza delicada e constante que carrego sempre, triste estou por não poder tirar mais fotografias suas, vó. Mesmo assim, essa foto não serve apenas para mostrar como a senhora é bonita: serve para combatermos o tempo, para embaralharmos passados, futuros e presentes. Serve para nos encontrarmos... Vó mesmo antes de nascer eu já me encontro em ti, nos teus sonhos e nas tuas rugas... Vó, nos encontramos... Vó, me faz cafuné...
2 comentários:
Raíz!
Querendo ou não ela ecoa em alto e bom som. Uma força implacável que ninguém pode fugir ou se esconder. À ela devemos o que somos e o que temos. Ignorá-la é destruir a si mesmo e privar as futuras gerações de ter acesso à própia história. De tentar prever o futuro.
O que nos foi legado não pode ser esquecido. Do Império caído e ridicularizado, que nos fez o que somos, à nossa vergonhosa sensualidade.
Deve ser frustante descobrir que o discurso politicamente correto que lhe fizeram crer não passa de um falso humanisno. Uma forma competente de desestruturar a sociedade, desvirtuar o homem da sua verdadeira sobrenatural finalidade: a preservação dos costumes ancestrais.
mas eu te amo
seu FDP
to limpo e convicto
só por hj até sempre!
"Um povo ignorante de seu passado, desonrará o presente e destruirá o futuro."
"A verdade é chamada ódio por aqueles que odeiam a verdade."
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