domingo, 29 de agosto de 2010

INEXORÁVEL

Poucas vezes me preocupo com a vida DAS palavras. Melhor dizendo, sou réu da vida NAS palavras. E assim, fiquei intrigado com o “inexorável”. O que quer dizer “inexorável” ? Mesmo sem o Aurélio, lendo aqui e ali, intuí que seria o “imbatível”, o “invencível”, o “insuperável”. Passei a usar essa palavra muitas vezes, e fiquei atento a sua vocação poética. Numa bela noite, entre vinho e melodia, descobri com o coração o que realmente era “inexorável”. Fechei os olhos e aprumei os ouvidos, deixei minhas lembranças desfilarem: o “inexorável” é o tempo, que nada perdoa e ri do perdido. Como lutador de boxe acuado nas cordas, acusei o golpe, procurei o clinche, desejava adiar o “inexorável” nocaute... E naquele combate antes de ser vencido: venci. Descobri que o “inexorável” tempo tem um antítodo: a memória. É só lembrar que o tempo é reinventado, revirado, nocauteado... O “inexorável” é a ausência do lembrar... lembremos. Nina, minha filha, você é meu “inexorável” “inexorável”. Você é meu lembrar do futuro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nina, o liquidificador e o mundo

Nina agora já tens 01 Kg, e cada vez mais a vida ganha peso em ti. Ontem te assustastes com o barulho do liquidificador, chutastes a barriga da tua mãe - numa mistura de surpresa, defesa e medo. Isso me partiu o coração, pois lembrou que o mundo não é perfeito e que certamente enfrentarás surpresa, medo e precisarás se defender...