domingo, 27 de novembro de 2011

Nina e a Meia-Noite em Paris

Nina desde que você nasceu eu não te escrevo. Mas, ontem enquanto assistia um filme com tua mãe, o verbo se fez força. O filme chamava “Meia-noite em Paris”, e contava a história de um escritor que toda noite viajava no tempo para se encontrar com seus ídolos literários da década de 1920. Tua mãe, no colo do filme, perguntou de chofre: quem tu querias conhecer que não conhecestes? Minha mente foi assaltada de nomes: Nietzsche, Pessoa, Dali, Machado de Assis... Mas, apesar de tudo minha resposta foi seca e precisa: ninguém. Claro que tua mãe me achou um tolo, podendo conhecer a arte materializada em pessoa, com cheiro e mau-humor, eu escolhi o NADA. Também, demorei a entender minha resposta. Mas, Nina, conhecer alguém que não conheci significa ter a vida em seu rumo mudada. E meu rumo a ti me trouxe. Conhecer quem não conheci é ser o que não sou e eu sou teu pai. Nina, a ti dedico minha vida. Mesmo a vida que não tive, a ti dedico, pois foi na escolha que ti escolhi. Fico imaginando o quanto ao longo dos meus 39 anos tive a chance de não te encontrar: uma viagem, uma palavra, uma profissão, um átimo... a todo instante podia ter perdido o instante que nascestes... teu choro e tua luz. Nina a ti dedico o que não sou, pois assim me re-faço no que sou.