sábado, 11 de setembro de 2010
O Jipe Willians
Quando ancorei pela primeira vez na Praia de Iracema, cheguei na polpa do Jipe Willians 51 verde; é o verde a cor da esperança! O passeio em si já era uma novidade, todos juntos, minha avó, meu irmão Keké, meu avô, eu e o Jipe. E assim chegamos. O carro parou na rua de calçamento, entre o terreno baldio que seria palco de proezas de meu irmão (depois eu conto essa história) e o edifício de três andares, com dois apartamentos por andar: Rua Ararius, 168, apt. 04, Praia de Iracema. Fortaleza-CE (tel: 226-7654). Nina, nunca esquecerei esse endereço, esse telefone... Cercando o nosso prédio ao norte um imenso campo de areia, com suas traves de madeira e seus times de adultos uniformizados, próximo a bodega do Alvino; ao sul mais uma rua de paralelepípedos, onde ficava o bar do Pereba (concorrente do Alvino), ao oeste o Colégio São Pedro e a leste o já mencionado terreno quase “selvagem”. O apartamento em si era grande, pelo menos para os padrões atuais dos “caixas de fósforos”: três quartos, um banheiro, uma sala, uma cozinha de azulejos azuis, área de serviço com dependências de empregada – parece anúncio de classificado. Caso fosse um anúncio de venda ou aluguel de imóvel eu diria mais: com vista para o Mar, mas é mentira, da varanda do nosso apartamento só avistávamos o Mar se fizéssemos malabarismos, e eu sempre torcia o pescoço para enxergar de longe suas águas. O motivo da visita era conhecermos nosso novo apartamento, em reforma, que logo abrigaria nossas vidas por mais de 20 anos. Mas, dessa primeira vez o que mais me lembro é do roubo, pois enquanto estávamos visitando o apartamento, andando nos cômodos e imaginando nossos destinos, nossa embarcação foi atacada: o indefeso Jipe teve seu tanque de gasolina aberto, e de lá, como numa transfusão, seu sangue “transferido” para uma bacia. Meu avô surpreendeu o larápio, e aos gritos de “pega ladrão” fui apresentado formalmente a Praia de Iracema. Um bairro com personalidade “bipolar”, oscilando entre o roubo e o presente. Roubou gasolina do Willans, mas me presenteou uma recepção animada, me apresentando um novo medo – o medo do novo. Novo bairro, nova casa, novos cheiros, novo Mar, novo futuro, novo ladrão...
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